Cadeiras de rodas são reformadas em presídio de Aquidauana para doação

Cadeiras de rodas são reformadas em presídio de Aquidauana para doação

Sucatas de cadeiras de rodas estão sendo reformadas no EPA (Estabelecimento Penal de Aquidauana) para serem doadas a quem precisa, iniciativa inovadora que une ressocialização e assistência à população carente, a exemplo de várias outras ações realizadas em unidades prisionais da Agepen (Agência Estadual da Administração do Sistema Penitenciário) em Mato Grosso do Sul, com retribuição direta à sociedade e ocupação produtiva da mão de obra carcerária.

Idealizado pelo policial penal Alex Vasconcelos dos Santos, o projeto surgiu a partir de um momento de empatia ao ouvir o apelo desesperado de uma senhora por uma cadeira de rodas em uma rádio local. “Fiquei profundamente comovido ao ouvir o relato dessa senhora e sua necessidade urgente. Decidi que algo precisava ser feito para mudar essa situação”, narrou o servidor.

Com o apoio do diretor do presídio, Cláudio dos Reis Alviço, e de outros colaboradores, o policial penal contou que para ser iniciado, o projeto recebeu apoio da Papelaria Pró-Disc, cujos proprietários gostaram da ideia e decidiram ajudar, proporcionando os recursos iniciais necessários para adquirir cadeiras de rodas usadas e os materiais para a reforma, incluindo tintas, punhos novos, rodas, rolamentos, parafusos e outros componentes essenciais.

Atualmente, dois internos dedicam seu tempo à reforma das peças, resultando em um estoque de 18 cadeiras de rodas e seis cadeiras com assento sanitário prontas para serem doadas. Além disso, o projeto está se expandindo para incluir a reforma de macas e camas hospitalares, em parceria com hospitais locais. Pelo trabalho, os reeducandos recebem remição de um dia na pena, a cada três de serviços prestados, em conformidade com a Lei de Execução Penal. Além de Alex, os trabalhos também são acompanhados pelo policial penal Elvis Ofmester Moreira.

Policial penal Alex acompanhando a produção.

A entrega de duas cadeiras de rodas, incluindo uma cadeira de banho, marcou o início das doações realizadas, com entrega ao Sindágua/MS (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviço de Esgotos de Mato Grosso do Sul), após solicitação à direção da Agepen para atender filiados e familiares.

Cadeira de rodas reformada no EPA.

Durante o recebimento, o diretor social do Sindágua/MS, Pedro Marcos Yule, expressou sua gratidão pela iniciativa, reconhecendo o impacto positivo que as cadeiras de rodas terão na vida dos beneficiários.

“Essas cadeiras vão contribuir muito para gente, porque às vezes, faltam cadeiras para atender nossos filiados, porque muitas vezes prorroga o prazo de uso. Impressionante esse trabalho, eu nem sabia que existia esse trabalho em unidades penais. Muito interessante, não fazia nem ideia que isso existia”, parabenizou Yule.

Já a diretora financeira do sindicato, Vera Fátima de Almeida Godoy, compartilhou sua experiência pessoal ao tentar reformar uma cadeira de banho, destacando os desafios financeiros enfrentados. “Graças à dedicação dos policiais penais de Aquidauana, essa necessidade foi atendida”, agradeceu.

Projetos que envolvem promoção social, educação e trabalho para a população carcerária são coordenados pela DAP (Diretoria de Assistência Penitenciária) da Agepen. Segundo a diretora da área, Maria de Lourdes Delgado Alves, projetos como o desenvolvido no presídio de Aquidauana são de suma importância social.

“Em um gesto de solidariedade em cadeia, as cadeiras reformadas estão encontrando novos lares onde são mais necessárias, demonstrando como a união e a compaixão podem transformar vidas”, destacou a diretora.

De acordo com o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, além do Estabelecimento Penal de Aquidauana onde sucatas são reformadas, cadeiras de rodas também são produzidas em Ivinhema, onde bicicletas apreendidas pela justiça são transformadas neste meio de locomoção.

A ação, segundo ele, é uma das várias frentes desenvolvidas em unidades da agência penitenciária com a utilização da mão de obra carcerária em prol do benefício direto à sociedade, com vários outros exemplos como de confecções de materiais utilizados em hospitais; pães e verduras produzidos repassados a instituições sociais; brinquedos doados a escolas infantis; fabricação de perucas para pessoas com câncer ; entre outros.

Keila Oliveira, Agepen